Confessions

Depuis quelque temps, je pense à écrire un post en français. J’ai un bon niveau oral dans cette langue et je suis en mesure de lire de textes de difficulté moyenne sans problèmes, mais quand je pense à écrire quoi que ce soit avec mes propres mots, ça se complique un peu.

Ce blog n’a aucune prétention au-delà d’occuper mon temps libre d’une façon créative et amusante, donc, après avoir choisi la langue de mon texte, il ne me restait plus qu’à choisir un bon sujet, et j’ai pensé à quelque chose lié à l’écrivain Umberto Eco. Ce sujet me semble intéressant et en même temps, pertinent parce que récemment, au moment de sa disparition, je suis tombé sur plusieurs articles relatifs à son travail et sa personnalité. Bref, il est pas dans mon intention d’insister sur les explications au sujet de mon choix, je voudrais tout simplement rendre un petit hommage à ce grand homme, et pour cela, je copie ci-dessous une phrase qui a particulièrement attiré mon attention et m’a fait réfléchir, de façon amusante, à propos de l’acte d’écrire, notamment sur la poésie:

À seize ans, naturellement, je me suis mis à écrire des poèmes, comme tous les adolescents. Je ne me rappelle pas si c’est le besoin de poésie qui fit fleurir mon premier amour (platonique et inavoué), ou l’inverse. Ce qui est sûr, c’est que le mélange fut un désastre. Mais comme je l’ai écrit – sous la forme d’un paradoxe énoncé par un de mes personnages de fiction –, il y a deux sortes de poètes : les bons, qui brûlent leurs poèmes à l’âge de dix-huit ans, et les mauvais, qui continuent à écrire de la poésie jusqu’à la fin de leurs jours.

Extrait: Confessions d’un jeune romancier de Umberto Eco

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Emulações Divinas

Eu adoro bichos. Evito me conectar em canais tipo National Geographic, Animal Planet, Discovery Channel porque sou capaz de ficar o dia inteiro babando na frente da TV.

Essa fascinação pelo mundo animal muitas vezes me leva a reagir de forma um pouco exagerada quando vejo pessoas maltratando animais, o que nem sempre acontece quando se trata de atitudes cruéis entre seres humanos. Isso não quer dizer que sou insensível ao que acontece com as pessoas.

Paradoxalmente às minhas reações, acho muito mais fácil explicar a violência entre duas espécies distintas, onde o agressor não se identifica com o agredido, seja por pensar que ele não sente dor – como justificam alguns defensores da tauromaquia – ou por considerar que se trata de um ser inferior pelo qual não sente nenhuma empatia. Sendo assim – falo por mim – é natural me mobilizar contra a atitude de pessoas que considero cruéis, mas que sinto que podem evoluir, com as quais sou capaz de me identificar justamente porque compreendo sua maneira de “funcionar”, pois sou consciente que também sou intelectualmente desonesta quando me convém: sou sensível a certos tipos de crueldade praticadas contra alguns animais, mas dificilmente resisto a um bom carpaccio e mato qualquer barata sem sentimento de culpa. Resistir ao foie gras está sendo uma de minhas vitórias rumo à evolução pessoal.

Por outro lado, se falamos da violência entre seres humanos, entramos por um terreno pantanoso, onde, muitas vezes, os papéis de agressor e agredido ficam difíceis de definir, em função da complexidade das diversas situações (manipulações, revides, fanatismos, interesses, vinganças, atos de dominação e submissão, etc). Tais atos podem ser tão abomináveis que o simples fato de comover-se e mobilizar-se de maneira racional pressupõe um terrível esforço prévio de superação do próprio horror. Como encarar de frente estas manifestações de violência entre pessoas, assimilar e tentar compreender o “funcionamento” de tudo isto, sem olhar diretamente para aquele lado escuro que todo mundo evita admitir que existe mas que, no fundo, sabe que um dia pode encontrar do outro lado do espelho?

Minha teoria é que os seres humanos passam a vida emulando Deus, mesmo aqueles que se dizem ateus… Citando o caso do drama refugiados sírios que tentam escapar da guerra, para dar um exemplo atual, se Ele, que tudo pode, em vez de salvar a maioria das pessoas, salva apenas umas poucas, quando salva –  sabe-se lá com base em que critérios -, por que nós, que em teoria somos criados à sua imagem e semelhança, deveríamos ser diferentes? Se Deus, que tem o poder de agir com justiça e equidade em todos os momentos – nem que seja só para dar exemplo – nem sempre o faz, por que nós, pobres mortais, pensamos que podemos ser melhores que Ele?

Do ponto de vista religioso, ser imparcial e coerente, em muitos casos, equivale a pretender ser mais justo e magnânimo que o próprio Deus. Do ponto de vista não religioso, não existe explicação racional que justifique a reincidência infindável de condutas monstruosas e destrutivas entre seres humanos, a não ser que se admita que elas também fazem parte de nossa essência.

Fazer um esforço para sermos melhores que Deus ou aceitar que nossa história seguirá impassivelmente pelo doloroso caminho imposto por nossa natureza conquistadora, até que não passemos por uma grande – e urgente – evolução? Entre o impossível e o improvável, por enquanto, acho muito mais lógico (para não dizer mais cômodo) darmos a mão ao Divino e tentar mudar o rumo de nosso futuro deixando o terreno livre para nossas boas ações, mesmo que a princípio elas visem aqueles que consideramos mais merecedores de simpatia/carinho/atenção. Ou o fato de ser uma semideusa cínica vai me levar diretamente ao inferno?

Passamos a vida inteira tentando ignorar nosso inexorável destino. Em vez passar o tempo todo tentando viver bem, talvez fosse mais coerente buscar boas razões para morrer. Tudo o que dá medo, também dá coragem… existe uma fina linha que separa heróis e suicidas, já que ambos encontraram boas razões para deixar de viver.

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Os soldadinhos de lã

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Para as jornadas Europeias do Patrimônio, o Grand Palais de Paris vai acolher a exposição La Wool War One (O Exército de Lã) da artista plástica Délit Maille. 780 pequenos soldados de lã estarão desfilando no lobby das Galerias Nacionais.

Decidi falar sobre esta exposição porque, além de interessante, achei tanto o resultado como todo o processo da execução muito emocionantes e altamente poéticos. Infelizmente não vou poder visitar o Grand Palais nas datas programadas: Sábado 19 e domingo 20 de setembro, das 9h30 às 17h30, mas compartilho aqui este texto para quem possa interessar, o que ameniza um pouco minha frustração.

La Wool War One nasceu a pedido de La Piscine, um Museu da cidade de Roubaix, que queria incorporar a abordagem de Délit Maille à sua programação de outono de 2014: L’Adieux aux armes (O Adeus às armas). Num primeiro momento, a artista se recusou: “Eu não conseguia me imaginar tratando um assunto tão sério usando a lã.” Mas a ideia continuou trabalhando em sua cabeça; ela leu os depoimentos dos soldados franceses: os diários de Louis Bartas, as cartas e poemas de Wilfred Owen. O projeto nasceu num dia de inverno chuvoso e glacial, ao visitar um dos muitos cemitérios militares do norte da França.

De que maneira pode-se contar um fato histórico? A resposta parece óbvia: começar a partir de fontes e arquivos autenticados.

Assim, em 2014, e no âmbito das Comemorações do Centenário, a exposição revelou ao público o surpreendente papel representado pelo Grand Palais durante a Primeira Guerra Mundial: requisitado pelo exército, o monumento abrigou o principal hospital militar de Paris (1200 leitos em 1917). Vendo o edifício como é hoje em dia, fica difícil imaginar soldados feridos recuperando-se nas galerias ou caminhando pela nave antes de voltarem aos campos de batalha.

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Mas será que a memória de um evento só existe através de uma narrativa histórica, tão precisa em datas como em fatos e números? Além da imagem veiculada pelos serviços de informação militar, como seria possível representar o dia a dia do hospital do Grand Palais?

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A Grande Guerra tem o triste privilégio de ser o primeiro evento mundial a ter deixado grande quantidade de testemunhos individuais, mas muito além desta memória, a sociedade francesa ainda carrega consigo lembranças da guerra que perduram no seio de muitas famílias. Um profundo vínculo emocional, que representa uma nova forma de narrativa deste momento histórico.

A Mobilização
Para levar a cabo seu projeto, Délit Maille escreveu em seu blog: “Esta vai ser uma história de homens impulsionados a um destino trágico e uma história de mulheres que entram em seu lugar armadas com suas agulhas (…) O que vamos contar no final, é uma história de laços (…) laços que unem netos, bisnetos, tataranetos.” “Todas as nacionalidades envolvidas no conflito serão representadas, sejam elas aliadas ou inimigas.”

Em dois dias, o projeto tornou-se uma aventura coletiva: através da internet, centenas de pessoas ofereceram sua participação. Por questões logísticas, definiu-se um máximo de 500 voluntários. Como em 1914, os cinco continentes marcaram presença: mulheres, em sua maioria (houve apenas um tricoteiro), de todas as idades, iniciantes ou experientes, de vinte nacionalidades diferentes; alguns estudantes chineses e brasileiros que estavam em Lille durante o projeto foram “recrutados”.

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Os Batalhões
Cada voluntário recebeu pelo correio uma encomenda: um novelo de lã e um papel com as instruções para realizar diversas peças do mesmo modelo. Assim foram formados os “batalhões” de jaquetas, calças, mochilas, capacetes, cintos, sapatos, etc. As tricoteiras não realizaram necessariamente o uniforme correspondente às suas nacionalidades. Délit Maile, sozinha, se encarregou de tricotar o corpo dos 780 soldados, que foram vestidos posteriormente pelos empregados da Manufatura de Flandres em Roubaix.

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Um Ano de Reuniões
Desde o início, Maille fez questão que o projeto fosse também um espaço de troca e expressão. Graças à força da internet (e-mails, blogs, redes sociais), mas também do velho e bom correio, centenas de pessoas, que não se conheciam, passaram a compartilhar dicas de tricô e histórias de família. Impossível quantificar o volume de mensagens, cartas e encomendas intercambiadas, exatamente como as que haviam circulado um século antes.

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A Guerra de Lã teve também uma presença muito real: Délit Maille foi ao encontro de muitas tricoteiras em Bordeaux, Bruxelas, Lille, Lyon, Paris, Marselha, Nantes e Metz. Da mesma forma que as esposas, mães ou madrinhas de guerra se reuniam para falar de seus ausentes, em cada encontro foi revivida a transmissão oral sobre as experiências e traumas dos soldados e suas famílias.

Mesmo não tendo sido criados especificamente para o Grand Palais, os 780 soldadinhos parecem ter encontrado “naturalmente” seu lugar no hall de recepção das Galerias Nacionais, espaço que abrigou 240 leitos durante a guerra.

Os soldados foram agrupados segundo sua nacionalidade, em filas mais ou menos numerosas; os franceses, chamados de “poilus” (peludos), estão presentes em maior número; já os chineses, por exemplo, são bem menos numerosos… e, sim, os soldados brasileiros estão entre eles.

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Da esquerda para a direita :
Soldados francês, alemão, americano, inglês, vietnamita, belga, brasileiro, chinês, escocês, indiano, italiano, senegalês, spahi (África do Norte).

Os soldados não estão armados, eles levam consigo somente sua mochila ou bolsa. Exceto pelo nariz e as orelhas, os rostos não apresentam detalhes. Os tons de pele são respeitados (a pele do soldado senegalês é mais escura), assim como algumas características culturais (a longa trança do soldado chinês, o bigode do soldado otomano, a barba dos soldados da Índia).Capture d’écran 2015-09-17 à 16.49.40Capture d’écran 2015-09-17 à 16.49.25

O Soldado Desconhecido
Um soldado foi isolado dos demais, colocado sobre um alto pedestal e sob um vidro. Do mesmo tamanho que os outros personagens, vestido com o uniforme dos “poilus”, ele encarna o Soldado Desconhecido. Ele também está desarmado, mas seu rosto é representado com olhos, nariz e boca.

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A exposição dos soldadinhos da Wool War One é acompanhada de um comovente poema de dois versos do escritor britânico Rudyard Kipling – “Common Form”, de 1918:
«If any question why we died / Tell them, because our fathers lied.»
“Se há alguma questão que justifique por que morremos / Contem-na, porque nossos pais mentiram”

O exército de lã, executado pelas mãos de Délit Maille e outras 1000 mãos anônimas, conta com 780 soldados vestidos com o uniforme da Primeira Guerra Mundial, tantos quantos foram os primeiros feridos tratados no Hospital do Grand Palais em outubro de 1914.

Eles homenageiam também os outros 80.000 soldados que receberam cuidados médicos para voltar à batalha.
Eles são tão pequenos e frágeis como a vida de todos aqueles homens.
Eles se chamam Paul, Louis, Charles, e também John, Antonio, Boris, Ali ou Oman.
Todos estão de volta ao Grand Palais; Hans e Franz também.

“C’est la présence de la mort qui donne sens à la vie.”
“É a presença da morte que dá sentido à vida.”
Maurice Genevois, “Entretiens” – 1979

Até quando…

Até quando a humanidade vai continuar utilizando sua existência imperfeita como argumento para justificar e legitimar suas desgraças e mazelas, num mundo onde a perfeição não existe e, se existisse, segundo creem muitos, seria um porre?

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Backup Automático Mac Os X – como desativar

Para meus trabalhos de tradução, utilizo o Pages da Apple, um programa de tratamento de texto bem bacana, globalmente mais limitado que o word, é verdade, mas que tem muitos pontos fortes que me satisfazem plenamente, começando pelo design da interface, muito mais elegante, agradável e fácil de utilizar do que a do word, além da vantagem de possibilitar a exportação em formato .doc ou .docx, que permite uma compatibilidade perfeita com os clientes que trabalham com o Office da Microsoft. Sem falar da diferença de preço, 15 € do Pages contra os 130 € do Word (se não for exatamente este valor, não está muito longe disto).

Porém, depois que fiz a atualização do novo sistema para o OS X Yosemite, fiquei super desapontada com a nova versão Pages, por um simples detalhe que começou a poluir minha vida: o backup automático!!!! Minha maneira de trabalhar não é compatível com este tipo de função, tentei fuçar de todas as maneiras, em todos os menus possíveis, para tentar desativar esta maldita modificação. No Way!

Finalmente, quando já estava quase largando a toalha e cogitando seriamente comprar uma versão do Word para Mac, encontrei uma página que mudou minha vida e decidi compartilhar com vocês:

Aqui vai uma dica para desativar o backup automático!!!!!!

Para não ir com muita sede ao pote e evitar futuros desgostos, vamos tomar o exemplo do TextEdit e ver como desativar o backup automático para este aplicativo

Bem-vindo(a) ao mundo maravilhoso do Terminal!

Faça uma busca no sistema para encontrar o Terminal e abra-o.

No menu, clique em Shell e depois em Comando Novo (ou algo parecido, estou traduzindo do menu do meu computador em francês)

Copie e cole o seguinte comando: defaults write com.apple.TextEdit ApplePersistence -bool no

Clique em Executar e faça o teste com o TextEdit. Se funcionar, tente então fazer a mesma coisa com o(s) aplicativo(s) que você quer modificar, você só precisa ter o cuidado de adaptar o texto do comando conforme o app desejado, como por exemplo:

Para o Pages: defaults write com.apple.iWork.Pages ApplePersistence -bool no

Para saber o caminho para chegar a seus arquivos de preferência, você deve ir até a Biblioteca (Library)> Application Support> Nome do aplicativo

Caso não funcione ou se você quiser voltar atrás, basta substituir o “no” do final por um “yes”

Conclusão:
Neste processo, há prós e contras, pois, em caso de acidente, quando o backup automático está ativado, você terá o prazer de encontrar todas as versões antigas que digitou. O mesmo não será possível caso você desative esta função.

Sendo assim, antes de desativar o backup automático, não se esqueça de pesar os prós e contras de suas ações. Eu já pesei os meus, segui o procedimento e desativei a função sem problemas nem dores de consciência.

Obs: Este post foi traduzido e adaptado do texto que você encontra aqui.

Peixe ao forno para quem não gosta de comer peixe

Hoje o dia amanheceu estranho, cinzento, ameaçando chuva e bem abafado, desses que não é bom para ficar na rua nem para ficar em casa. Dos males o menor, ficar em casa foi a opção escolhida. Surge a bendita questão: que fazer para o almoço?

Para ficar em harmonia com o dia, nada melhor que um prato à base de peixe. Não gosto muito de peixe, que fique claro. Já sei, comer peixe faz bem, não engorda, etc. Mesmo assim, cada vez que vou comer na casa de alguém e vão servir esta iguaria, fico logo nervosa: será que vai ser daqueles que cheiram forte? vai ter espinha? vou conseguir comer com gosto, sem precisar fazer de conta que estou gostando?

Para quem, como eu, não é fã de pratos à base de animais aquáticos (principalmente os que têm escamas), esta receita é bem legal. O segredo é escolher um filé de peixe que não tenha sabor muito forte: pescada, linguado, bacalhau fresco, etc.  O queijo gratinado vai dar uma bonita cor dourada e um sabor especial.  Garanto que fica muito bom!


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Filé de peixe ao forno:

  • 2 filés de peixe (pescada, linguado, bacalhau fresco, etc) – pode ser congelado? sem problema, eu SÓ uso peixe congelado
  • 2 tomates maduros sem pele e cortados em rodelas finas
  • 1/2 cebola grande ou 1 pequena cortada em rodelas finas
  • 1/2 pimentão vermelho cortado em tiras finas
  • tomilho (ou qualquer outro verdinho de sua preferência – orégano, alecrim…)
  • azeite de oliva quanto baste
  • 1 dente de alho grande ou 2 dentes pequenos picadinhos e sem o talo do meio
  • 6 ou 7 azeitonas pretas sem caroço, cortadas em pedacinhos (não compre as que já vêm sem caroço, o sabor não é o mesmo, muito sem graça. Prefira as normais e tire o caroço na hora)
  • cebola desidratada (se quiser – eu gosto porque dá um toque crocante aos pratos)
  • vinagre (usei o balsâmico branco, que não é fácil de encontrar, pode usar o que você preferir, ou então, substitua por um pouco de suco de limão)
  • queijo ementhal ou gruyère ralado
  • sal a gosto

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Modo de fazer:

  • Ligar o forno para ir preaquecendo a 200ºC.
  • Colocar um pouco de azeite no fundo de um refratário e ir posicionando em camadas: as rodelas de tomate, as rodelas de cebola, os palitos de pimentão.
  • Espalhar as azeitonas pretas uniformemente.
  • Espalhar o tomilho a gosto.
  • Cobrir com um pouco de cebola desidratada.
  • Espalhar o alho por cima de tudo.
  • Sobre as camadas de legumes, colocar os filés de peixe.
  • Jogar um pouco de azeite sobre os filés e sobre os legumes, sem exagerar.
  • Colocar um pouco de vinagre (se possível com ajuda de um spray) sobre os filés de peixe e sobre os legumes, sem exagerar.
  • Salgar tudo, ligeiramente. A prudência é a alma do negócio, se faltar sal, é sempre possível colocar mais. O processo contrário é impossível.
  • Cobrir tudo com uma camada bem fina de queijo ralado. Além da prudência, outro segredo desta receita é a sutileza. Se você realmente de-tes-ta comer peixe, afunde o pé na jaca: cubra com bastante queijo ralado e use bastante orégano, quem sabe assim você consegue enganar seus sentidos com a sensação de estar comendo uma bela pizza.
  • Levar ao forno pelo tempo indicado no pacote, caso utilize peixe congelado, ou de acordo com sua preferência, se usar peixe fresco. Tem gente que gosta do peixe mais mal passado. Eu gosto de ver a carne branquinha e fumegante. Se você é como eu, só tome cuidado de não deixar o coitado do peixe no forno por muito tempo, ele pode ficar seco demais e a carne com consistência de palha.
  • Servir acompanhado de purê de batatas ou arroz branco.

Lições Alheias

Jamais expulse alguém de sua vida antes de ter a completa certeza que esta pessoa pode deixar de existir em seu coração. A distância pode jogar a favor dela e você corre o sério risco de passar o resto de seus dias na companhia de um fantasma vivente.

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O menininho na praia

Assunto da atualidade, impossível passar batido e não reagir a este horrível drama da humanidade. Depois de muito pensar sobre o assunto, decidi deixar passar o choque e a terrível emoção que senti ao ver pela primeira vez a foto do menininho sírio morto na praia, por uma simples razão: Inquestionavelmente, a foto abalou um grande número de pessoas, mas será que conseguiu atingir, na mesma medida, o coração dos indivíduos e instituições capazes de agir e fazer a diferença em forma de ações organizadas?

Tenho lido muitos textos, muitos artigos sobre este tema, que além de me interessar e comover, também me preocupa enormemente. Um destes artigos me impressionou de tal maneira que decidi traduzí-lo rapidamente – veja mais abaixo. Quem quiser ler o original em francês, é só clicar no link.

Para concluir meu ponto de vista, antes de passar ao artigo traduzido, a exemplo de tantas outras, a foto do menininho da praia provocou um impacto emocional tão grande que certamente vai entrar para a lista de imagens que se tornaram ícones de bons e maus momentos de nossa história. A repetição exaustiva desta terrível cena, que vai ficar para sempre em nossa memória, está provocando reações no mundo inteiro, mas acredito que os verdadeiros efeitos vão demorar em se fazer sentir. Enquanto isso, essa gigantesca rede de reações epidérmicas poderá se transformar em veneno ou antídoto, não há meio termo possível nestes casos. Por enquanto, só consigo afirmar com certeza que é mais fácil amar ao próximo quando ele está longe. Em todos os cantos do mundo, nossos próximos estão cada vez mais perto, e vai chegar o momento em que seremos obrigados a confrontar nossas ideias, nossos julgamentos, para definir o verdadeiro sentido que queremos dar à palavra humanidade. Gostemos ou não, está cada vez mais difícil ostentar nossa santidade à custa de cuspir nas maldades alheias.

Deixar-se levar pela emoção é humano… mas sofrer passivamente equivale a colocar-se do lado dos que não sofrem. Passado o choque, é importante manter uma certa distância do horror para tentar assimilar a mensagem que este menininho tenta nos transmitir. Está em nossas mãos ir além dos lamentos e tentar transmutar esta realidade, através de mudanças de atitudes, de pequenos gestos, da rejeição à crueldade. Acredito sinceramente que este pensamento aparentemente ingênuo – tanto quanto o pequeno Aylan – apesar de sua frágil aparência, carrega consigo um grande poder transformador: juntos, podemos fazer a grande diferença que os indiferentes não querem/tentam mudar.

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“Criança síria: é assim que cada um escolhe seus pobres!

A foto nos chocou. Mas ela não comoveu todo mundo…

Sem a foto, nada… Sem a foto, nenhum impacto emocional… Sem a foto, nenhuma compaixão pelos pequenos sírios… Nós vivemos sob o domínio direto da imagem e é ela, e somente ela, que nos diz o que devemos sentir. É assim. Mesmo que a realidade seja muito mais complexa do que poderia insinuar a imagem de um corpo de criança encalhado em uma praia.

O fato de nos comovermos conta muito a nosso favor. Nós temos algo que tantos outros ao redor do mundo carecem cruelmente: um coração que bate e um grande respeito pela vida humana.

Mas não podemos parar por aí. Hollande disse que a foto do pequeno Aylan “tinha dado a volta ao mundo.” O presidente está ligeiramente equivocado. Não ao redor do mundo: de nosso mundo unicamente.

Alguém acredita, mesmo por um instante, que a imagem da criança síria virou destaque nos jornais do Qatar, da Arábia ou dos Emirados? Alguém acredita que dentre as monarquias petrolíferas do Golfo, podres de ricas, os príncipes e emires abrirão os cofres para proporcionar um meio de subsistência aos refugiados sírios? Eles fazem, portanto, parte do mesmo povo e praticam a mesma religião daqueles que tanto sofrem.

O rei Salman da Arábia Saudita esteve recentemente de férias na França em sua vila de Golfe-Juan. Ele veio acompanhado de 1000 pessoas! 1000 pessoas alojadas, em sua maioria, nos palácios da Côte d’Azur. Uma noite em um hotel de luxo – aqueles em que se hospedaram – custa, pelo menos, 400 euros. Por uma única noite das arábias passada na Riviera Francesa, quantas crianças sírias poderiam ser alimentadas, tratadas, educadas?

Para ficar mais perto de casa, podemos voltar os olhos para o “Secours Islamic de France” (SIF), uma ONG fundada pela Arábia Saudita. Na primeira página de seu site, nada, absolutamente nada sobre a situação dos refugiados (N.T.: no momento em que o artigo foi escrito, não havia nada, o site foi atualizado posteriormente, portanto, esta informação já não se aplica). No entanto, em grande destaque, um vídeo evoca a destruição em Gaza. O SIF escolheu seus pobres.

Um outro site … o do “Secours Populaire” (próximo ao PC – Partido Comunista) compartilha a mesma indiferença do SIF em relação aos desafortunados sírios. Mas reserva boa parte de suas atenções às crianças gregas vítimas da crise. Talvez essas crianças sejam de esquerda? (N.T.: no momento em que o artigo foi escrito, não havia nada, este site também foi atualizado posteriormente, portanto, esta informação já não se aplica). “Secours Populaire” também escolheu seus pobres. O mesmo não acontece no site do “Secours Catholique” (Caritas).  Pululam textos pedindo doações para os sírios e iraquianos. E não somente para os cristãos perseguidos. “Secours Catholique” não escolhe seus pobres.

Em um artigo publicado no “Atlantico“, um advogado, certamente muito cristão, escreveu que “corremos o risco de perder nossa alma se não prestarmos ajuda aos refugiados sírios”. De assim ser, uma questão se impõe: o Qatar, a Arábia, os Emirados, são dotados de alma?

P.S: Um bilionário egípcio, Naguib Sawiris, anunciou seu desejo de comprar uma ilha no Mediterrâneo para instalar os refugiados sírios. Os refugiados são muçulmanos, Sawiris é um cristão copta. Os refugiados são muçulmanos. Qualquer comentário seria supérfluo.”

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Numa casa,
Um quarto,
Uma banheira de
água quente.

Da torneira aberta
o líquido jorra,
chega até o pescoço,
sobe, alaga, transborda.

Ínfimo mar,
a lágrima irrompe
e escorre plangente
no insípido rio de aço esmaltado.

O fluxo invade,
penetra, traspassa.
O pranto extravasa,
úmido e sem alento.

Em meio ao caudal,
o sofrimento abarca
e a enchente arrasta
o fato prestes a ser consumado.

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